Senhora de Oliveira, Piranga, Rio Espera e Catas Altas da Noruega. Além da proximidade geográfica, na região do Vale do Piranga, os municípios têm em comum a origem histórica e as tradições culturais. Para eles, julho é o mês mais importante do calendário. É o momento de abrir suas portas para receber os visitantes vindos de outras cidades, que movimentam a economia local, além de oferecer lazer e cultura para os moradores.
Pelo segundo ano consecutivo, os municípios, por meio de suas prefeituras, se unem a fim de fortalecer a programação das já tradicionais festas que acontecem no mês de julho. Além dos shows populares, que atraem multidões para os espaços de eventos, este ano, as programações serão potencializadas com apresentações culturais durante o dia, nos finais de semana. É o festival de inverno Julho no Vale do Piranga, uma marca que tem tudo para se tornar referência de qualidade e inovação para as comunidades envolvidas.
“As prefeituras continuarão realizando suas tradicionais festas, porém, para o público em geral, a marca Julho no Vale do Piranga surge como um elemento de integração dos municípios participantes, sempre relacionada à inovação, ao lazer e à formação cultural”, destaca o Presidente da AMALPA e Prefeito de Piranga, Dr. Eduardo Sergio Guimarães. Será um mês de muita festa, sempre de quinta a domingo, nas praças e áreas de eventos de Senhora de Oliveira, Piranga, Rio Espera e Catas Altas da Noruega.
“Na nossa região, ainda é preciso formar plateia para a música regional, teatro, dança, circo e artes visuais”, complementa o idealizador do festival Julho no Vale do Piranga e diretor da Arvore de Comunicação, Rafael Araujo. A novidade de 2010 é a inclusão de uma estrutura paralela, montada na praça principal de cada município, onde acontecerá uma programação genuinamente cultural, aos sábados e domingos, das 10h às 18h, com entrada franca.
Festival de inverno
Historicamente, Minas Gerais tem uma relação estreita com a cultura. São muitas as manifestações artísticas, de vários gêneros, tipos e públicos. É impossível não encontrar alguma particularidade inédita, presente em cada um dos 853 municípios.
Desde a metade do Século 20, os mineiros organizam festivais de inverno em algumas regiões. O objetivo, quase sempre, é oferecer ao público programação de qualidade, com entrada franca, auxiliando na formação de platéias para as mais diversas manifestações artísticas.
Antes restrita às cidades históricas com grande fluxo turístico, como Ouro Preto, Mariana, Tiradentes, São João Del Rei e Diamantina, o formato do Festival de Inverno passa a ser visto como uma importante alternativa para o desenvolvimento cultural e econômico de cidades de pequeno porte. Como bem escreveu Guimarães Rosa, “Minas são muitas” e nada melhor que levar programação de qualidade para aquelas pessoas que historicamente ficaram à margem do desenvolvimento.
Apesar de terem um grande potencial cultural – todos os municípios contam com bandas de música, grupos de serestas, corais, congados e folias de réis – o acesso aos bens culturais na região do Vale do Piranga ainda é restrito.
Nesses municípios, o mês de julho é o período onde se recebe maior número de visitantes, principalmente ex-moradores que deixaram sua terra natal para tentar a vida na cidade grande. Há mais de 20 anos, nesse mês, as Prefeituras realizam shows populares a fim de atrair o público e movimentar a economia local. Porém, a programação se resume a shows sertanejos – tradicionalmente, preferência da maioria do público, o que deve sim ser respeitado. Porém, a proposta do Festival Julho no Vale do Piranga é justamente apresentar uma programação diversa, onde, além dos shows tradicionais – que continuarão sendo financiados pelos governos municipais – o público terá acesso a espetáculos teatrais, dança, circo e artes visuais.